Irmãs Carmelitas 
SOBRE A ASSOCIAÇÃO IRMÃS CARMELITAS FREIS CARMELITAS ORDEM SECULAR


Misericórdia em Santa Elisabete da Trindade

Misericórdia em Santa Elisabete da Trindade

 

  1. Cartas

Minha irmã, eu jamais senti tanto a minha miséria, jamais me vi tão miserável. Mas esta miséria não me deprime, pelo contrário, sirvo-me dela para ir a Deus. Creio que se Ele me amou tão apaixonadamente e me concedeu tantos favores é por ver-me tão miserável49. À Srta. Margarida Gollot

 

Peça ao Senhor que eu viva plenamente a minha vida de Carmelita, de desposada com Cristo. Isto supõe uniões tão profundas... Por que me amou tanto? Eu me vejo tão pequena, tão cheia de miséria... Mas o amo. É tudo o que sei fazer. Amo-o com o mesmo amor com que Ele se ama. Trata-se de um fluxo e refluxo entre Aquele que é e aquela que não é. 119. AO SR. CÔNEGO ANGLES

 

Minha querida, você enviou um anjinho para o céu. Ele não experimentará nossas misérias. Olhe-o entre aqueles espíritos tão puros que podem contemplar a face de Deus. Ele sorri para a sua mãezinha. Quer atrair seu coração e a sua alma para aquelas regiões celestes onde o sofrimento se transforma em amor.

121. À SRA. MARIA LUISA MAUREL

 

Sim, minha irmãzinha, nós somos muito fracas. Eu me atreveria até a dizer: não somos senão miséria. Mas Ele o sabe. Agrada-lhe tanto perdoar-nos, reerguer-nos, transformar-nos n’Ele, em sua pureza, em sua santidade infinita. Assim é como nos purificará com seus contatos permanentes e seus toques divinos. Ele nos quer tão puras... Ele mesmo será a nossa pureza. Temos que nos deixar transformar na sua própria imagem. E fazê-lo com toda a simplicidade, amando-o constantemente com aquele amor que estabelece a unidade entre aqueles que se amam. Também eu, Germana, quero ser santa. Santa para fazê-lo feliz. Peça-lhe que eu viva somente de amor. É a minha vocação. Unamo-nos para fazer de nossas tarefas diárias uma comunhão permanente. 152. À Srta. Germana De Gemeaux

 

Ele está em mim e eu n’Ele. Só tenho que amá-lo e deixar-me amar sempre através de todas as coisas: despertar-me no amor, mover-me no amor, adormecer no amor com a alma posta em sua alma, com o coração em seu coração, com os olhos em seus olhos, para que me purifique e me liberte da minha miséria pelo seu contacto divino. Se soubesse como estou plena dela, gostaria de falar-lhe como outrora em Santo Hilário, e depois me banhar no Sangue do Cordeiro. Minha mamãe querida quase me faz cometer pecados de inveja. Ao menos durante a Missa introduza minha alma no cálice e peça ao Esposo que me faça totalmente pura, virgem, uma unidade total com Ele! 154. AO SR. CÔNEGO ANGLES

 

* Quanto bem me faz este pensamento. Oh! Quanta satisfação nos proporciona o gesto de buscar n’Ele a salvação durante essas horas em que não sentimos senão a nossa própria miséria. Vejo-me tão miserável... Porém o Senhor me deu uma Madre, imagem de sua misericórdia, que sabe dissipar com uma palavra toda angústia que sente a alma de sua filhinha, e lhe dar asas para elevar-se iluminada pelos raios do Astro criador. Por isso vivo em constante ação de graças, unindo-me ao eterno louvor que se canta no céu dos santos. Já estou fazendo neste mundo os meus primeiros ensaios. Carta 168 ao Sr. Cônego

 

* Seu querido pai era verdadeiramente o justo de que a Escritura fala (Sb 3,5). O Deus do amor e da misericórdia já lhe deu um lugar no seu Reino. É preciso ter uma alma bem acrisolada para nele entrar. Por isso, rezo muito por ele e também por aqueles que deixou. Carta 175 a Guita sua irmã

 

* No dia dois eu festejei o terceiro aniversário da minha entrada no Carmelo. Oh! Como o Senhor foi bom para comigo! É como um abismo de amor em que me perco enquanto espero ir cantar no céu as misericórdias do Senhor. Carta 183 ao Sr. Cônego Angles

 

* Cada dia Ele me faz experimentar melhor a doçura de ser d’Ele, d’Ele só, e a minha vocação de Carmelita me imerge na adoração, na ação de graças. Sim, na realidade é bem verdade o que diz São Paulo: “Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou” (Ef 2,4); e amou com grande amor a sua pequena Elisabete.  Carta 196 ao Cônego Angles

 

* Meu coração compartilhou amplamente a dor que atinge o coração de vocês. Peço-lhe que seja a minha intérprete junto à sua querida mãe nesta dolorosa circunstância. Na oração, tenho presente o seu querido falecido para que “Deus, que é rico em misericórdia” (Ef 2,4), o introduza o quanto antes na “herança dos santos na luz” (Cl 1,12). Rezo também por aqueles que continuam nesta vida, porque são justamente eles que têm que carregar o fardo da dor. ... Lembre-se do desafio corajoso do Apóstolo: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm 8,35). Ele havia penetrado profundamente o coração de seu divino Mestre e conhecia os tesouros de misericórdia que n’Ele se encerravam.                                        Carta 198 a Srta. Germana de Gemeaux

 

* Sempre que se sinta invadida pelo medo de ter abusado de suas graças, conforme me tem confidenciado, eis que chegou então o momento de redobrar a confiança. Pois também o Apóstolo assim se expressa: “Onde abundou o pecado, a graça superabundou” (Rm 5,20). E mais ainda: “Por conseguinte, com todo o ânimo prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que repouse sobre mim a força de Cristo” (2Cor 12,9). “Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou” (Ef 2,4). Por isso, não tema esse momento pelo qual todos temos que passar. A morte, querida senhora, não é senão o sono da criança que adormece no colo da mãe. Finalmente a noite do exílio terminará para sempre, e nós entraremos na posse da herança dos santos na luz (Cl 1,12). São João da Cruz diz que “seremos julgados no amor”, o que corresponde às palavras que Jesus disse a Madalena: “Seus numerosos pecados lhe estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor” (Lc 7,47). Às vezes receio que terei um longo purgatório, ao pensar que muito será pedido a quem muito recebeu. Ele cumulou de dons sua esposinha, mas ela se abandona ao seu amor e já neste mundo canta o hino de suas misericórdias. Carta 199 à Sra. Angles

 

No ano passado, nossa Madre pediu à senhora auxílios para socorrer uma família pobre, para a qual a senhora proveu de roupas para o casamento de um dos filhos. Se a senhora pudesse arranjar mais alguma de alguma coisa com as famílias Avout e Sourdon para atender às suas necessidades para o verão e a primavera, faria uma excelente obra de caridade. São pessoas de tão alta sociedade e, no entanto, se acham em extrema necessidade... É tão triste essa miséria obscura. A pobre mãe sofre muito com esta situação, e nossa bondosa Madre, que tem um coração transbordante de caridade, sente-se tão feliz em poder socorrê-los. Portanto, conto com a senhora, mamãe querida, porque da senhora se pode dizer o mesmo que o Senhor disse: “Pedi, e vos será dado” (Mt 7,7). 202. À SRA. CATEZ, SUA MÃE

 

* Já pode entoar com a Virgem o seu “Magnificat” e rejubilar-se de júbilo em Deus, seu Salvador, porque o Todo-Poderoso opera no senhor grandes coisas, e eterna é a sua misericórdia. Carta 206 ao seminarista André Chevignard

 

Como é bem consolador – não lhe parece? – pensar que Aquele que nos deve julgar habita em nós para nos livrar a todo instante de nossas misérias e para nos perdoar. Assim se expressa São Paulo, explicitamente: “Ele nos justificou gratuitamente pela fé em seu sangue” (Rm 3,24-25). Oh! Framboesa! Como somos ricos dos dons de Deus, nós os “predestinados à adoção divina” (Ef 1,5) e por conseqüência herdeiros da sua herança de glória (Rm 8,17). “Nele Ele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante d’Ele no amor” (Ef 1,4). Eis a vocação a que fomos chamados em virtude de um “decreto divino”, diz o grande Apóstolo (Ef 1,9). 212. À Srta. Francisca De Sourdon

* Querida senhora, eu rezo muito por aquela que Deus levou deste mundo e lhe suplico, em nome da sua misericórdia, que a introduza na sua herança de glória. Tenho a certeza de que lá a sua oração pelas duas filhas queridas que eram a alegria e a felicidade, terá grande eficácia sobre o Coração de Deus. Carta 213. à Sra. Condessa De Sourdon

 

* Com a senhora farei a Santa Comunhão pelo querido falecido, a fim de que Deus, “rico em misericórdia” (Esd 34,6), lhe conceda participar da “herança dos santos, na luz” (Cl 1,12), se ainda não o introduziu nesse Reino. É, entretanto, lá que minha alma penetra quando penso n’Ele; tenho antes o movimento de pedir sua intercessão que rezar por ele. Mas assim mesmo o farei, porque precisamos ser muito puros para comparecer diante de Deus! No entanto, desde este mundo Deus nos permite que vivamos na sua intimidade e que comecemos, de alguma sorte, a nossa eternidade, vivendo “em sociedade” com as três Pessoas Divinas.               Carta 220, à  Sra. Condessa De Sourdon

 

Sim, querida senhora, creio que o segredo da paz e da felicidade consiste em se esquecer, se despreocupar de si mesmo. Isto não consiste em deixar de sentir suas misérias físicas ou morais. Os próprios santos passam por esses estados tão dolorosos. Porém sua vida estava ausente deles. Eles superavam, com rapidez, estas deficiências. E quando se sentiam afetados por elas, não estranhavam, porque sabiam de que argila eles foram feitos, conforme canta o salmista (Sl 102,14). Mas ele acrescenta também: “Com o auxílio de Deus fui íntegro e me guardarei de toda iniqüidade” (Sl 17,24). ... No que diz respeito à parte moral, jamais se deixe abater pelo pensamento de suas misérias. O grande São Paulo nos diz: “Onde abundou o pecado, a graça superabundou” (Rm 5,20). No meu entender, a alma mais fraca, mesmo a mais culpada, é a que tem mais direito a confiar. Esse ato que ela faz para se esquecer e se lançar nos braços de Deus, glorifica e alegra mais o Senhor que todos os retornos sobre si mesma e todos os exames de consciência que a obrigam a estar em contato com as próprias misérias, quando tem no fundo de seu ser um Salvador que quer purificá-la constantemente. Lembra-se daquela bela página do Evangelho onde Jesus diz ao Pai: “E, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, Ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste?” (Jo 17,2). Eis aí o que Ele quer realizar na senhora. Ele quer que a senhora saia de si mesma, que despreze todas as preocupações para se retirar nesta solidão que Ele preparou no fundo de seu coração. Não me diga que isto é superior às suas forças, que a senhora é demasiado miserável. Pelo contrário, isto constitui mais uma razão para aproximar-se daquele que é o Salvador. Não é olhando para nossa miséria que nós seremos purificados, mas é contemplando Àquele que é a pureza e a santidade. São Paulo diz que “Ele nos predestinou a sermos conforme à sua imagem (Rm 8,29). Nos momentos mais angustiosos, pense que o divino Artista, para tornar sua obra mais bela, serve-se do cinzel, e então permaneça em paz sob a mão daquele que a está lavrando.

 Este grande apóstolo São Paulo, depois de ter sido arrebatado ao terceiro Céu, sentia a própria fragilidade e dela se queixava a Deus. Mas o Senhor lhe respondeu: “Basta-te minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder” (2Cor 12,9). Não lhe parece que tudo isto é tão consolador? 223. À SRA. ANGLES

 

* Pobre França. É tão agradável banhá-la no sangue do Justo, daquele que vive eternamente para interceder e pedir misericórdia (Hb 7,25).                        Carta 227., Ao Sr. Cônego Angles

 

* E como o senhor é seu sacerdote, rogo-lhe que me consagre a Ele como uma pequena hóstia de louvor que quer glorificá-lo no céu ou sobre a terra no sofrimento, tanto quanto Ele o quiser. Depois... quando eu morrer, o senhor me ajudará a sair do purgatório. Oh, se soubesse como eu sinto que em mim tudo é manchado, tudo é miséria. Tenho tanta necessidade do auxílio de minha boa Madre para me ajudar a sair deste estado. Oh! Que Madre! Para o corpo ela é uma verdadeira mãe; para a minha alma é imagem do Deus de misericórdia, de amor e de paz. Carta 238. Ao Sr. Cônego Angles1

 

* Que importa o que sintamos? Ele é o Imutável, aquele que nunca muda. Ele a ama hoje como a amava ontem, como a amará amanhã. Ainda que você o ofenda, lembre-se de que um abismo atrai outro abismo, e que o abismo da sua miséria, minha querida Guita, atrai o abismo da sua misericórdia. Oh! Veja você, Ele me faz compreender tão bem estas coisas, e isto para nós duas. Ele me atrai muito também para o sofrimento, o dom de si. Parece-me que este é o do amor. Carta 258. À Sra. Chevignard, Sua Irmã1

 

Adeus, mamãe querida. Eu a encontro no olhar do Mestre. Permaneçamos bem perto d’Ele. Ofereçamos-lhe todas as nossas misérias do corpo e da alma como os doentes, um dia, através da Judéia, aproximaram-se d’Ele: “uma virtude secreta” (Lc 6,19) sairá novamente do Mestre e, embora não a sintamos, devemos crer na sua ação que é amor.261. À SRA. CATEZ, SUA MÃE

 

* Mamãe querida, a senhora está lembrada de cinco anos atrás? Eu me lembro, eu e Ele também... Ele recolheu o sangue do seu coração de mãe num cálice que pesará muito na balança da sua misericórdia. Ontem à noite eu pensava naquela última noite, e como não podia dormir, instalei-me perto de minha janela e ali permaneci quase até meia-noite, em oração com meu Mestre. Passei uma noite divina. O céu estava tão azul, tão sereno. Sentia-se um tal silêncio no mosteiro... E eu repassei os cinco anos tão cumulados de graças. 263. À Sra Catez, sua Mãe

 

            * Na espera de segui-lo por toda a parte no céu, minha boa Irmã, sigamo-lo desde aqui em baixo e vivamos com o Esposo divino num diálogo contínuo e cordial. Oh, como é doce ser sua! Há cinco anos eu sou prisioneira do seu amor, e a cada dia eu compreendo melhor a minha felicidade. Minha Irmã, fomos nós que escolhemos a melhor parte e creio que podemos passar a nossa eternidade, a cantar com Davi as misericórdias do Senhor (cf. Sl 88,2). “Ele muito nos amou”, diz São Paulo (Ef 2,4). E não é acaso impulsionado por esse grande amor que nos elevou à dignidade de esposas? Com você, minha Irmã, eu o adoro e n’Ele sou a sua irmãzinha. 265. À Ir. Maria Filippa, Religiosa Da Providência1

 

“Quotidie morior”, exclamava São Paulo, “eu morro cada dia” (1Cor 15,31). Framboesa, esta doutrina de morrer a si mesma, que é, aliás, a lei para toda alma cristã depois que Cristo disse “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23), esta doutrina, portanto, que parece tão austera, é de uma suavidade deliciosa, quando se olha o termo dessa morte, que é a vida de Deus colocada no lugar da nossa vida de pecado e de misérias. É isto que São Paulo queria dizer quando escrevia: “Despojai-vos do homem velho e revesti-vos do novo, segundo a imagem daquele que a criou” (Cl 3,10). Esta imagem é Deus mesmo. ...

Framboesa, todos os movimentos de orgulho que você experimenta só se transformam em faltas quando a vontade se torna cúmplice deles. Sem isto você pode sofrer muito, mas não ofende o bom Deus. Essas faltas que lhe escapam, conforme você me diz, inadvertidamente, denotam sem dúvida, um fundo de amor-próprio, mas isto, minha pobre querida, faz de algum modo parte de nós... O que o bom Deus lhe pede é que nunca se detenha voluntariamente em um pensamento de orgulho qualquer, e jamais fazer um ato inspirado por este mesmo orgulho. Isto não é bom. E ainda, se constatar uma coisa destas coisas, não deve desencorajar, porque é ainda o orgulho que se irrita, mas você deve expor sua miséria como Madalena aos pés do Mestre, e pedir que Ele a liberte. Agrada-lhe tanto ver uma alma reconhecer sua impotência. Então, como dizia uma grande santa, o abismo da imensidade de Deus se encontra frente a frente diante do abismo do nada da criatura, e Deus abraça esse nada. 270. À SRTA. FRANCISCA DE SOURDON

 

* É meu coração que se encarrega de impulsionar o lápis, porque os meus dedos não têm mais força. Contudo, quero responder a sua amável carta para dizer-lhe que rezo nas suas intenções, por sua querida Maria Luisa e por sua querida falecida, a fim de que o bom Deus, rico em misericórdia (Ex 34,6), a introduza em sua herança de glória, porque é preciso ser tão puro para contemplar a sua Face!... 279. À Sra. Condessa De Sourdon

 

 

*Irmãzinha de minha alma, à luz da eternidade o bom Deus me fez compreender muitas coisas, e venho lhe dizer como se fosse de sua parte, não tema o sacrifício, a luta, mas ao contrário, alegre-se quando passar por esses momentos. Se a sua natureza lhe for motivo de tentação, um campo de batalha, oh, não desanime, não se entristeça. Atrevo-me, inclusive, a dizer-lhe: ame a sua miséria, porque é sobre ela que Deus exerce a sua misericórdia. Quando a contemplação dessa miséria lhe lançar na tristeza e lhe obrigar a voltar-se sobre si mesma, isto é o amor próprio. Durante as horas de desalento, vá refugiar-se na oração do divino Mestre.

Sim, irmãzinha, estando sobre a cruz Ele via você, rezava por você, e essa oração é eternamente viva e presente diante de seu Pai (cf. Hb 7,25). É ela que a salvará de suas misérias. Quanto mais sentir sua fraqueza, mais deve crescer sua confiança, pois Ele é o seu único apoio. Não creia que por isso Ele deixará de elegê-la. Seria uma grande tentação. 280. À SRTA. GERMANA DE GEMEAUX

 

  1. DIARIO ESPÍITUAL

* Também a terra é um campo de batalha. Quantas lutas, quantos combates, quantos feridos, quantos mortos para a vida espiritual... E eis que Deus envia a Missão para ressuscitar os mortos e curar os feridos. Sim, é o tempo da misericórdia e do perdão, o tempo durante o qual Deus distribui a graça à mãos cheias. Não deixemos passar este tempo abençoado, recolhamos todas essas graças,é uma oportunidade única...

Ó meu Deus, compadecei-vos. Eu vos faço o sacrifício da minha vida pelo êxito desta Missão. Enviai-me sofrimentos, mas escutai-me. Vede as minhas lágrimas, meus suspiros.Perdão, misericórdia, Deus Todo poderoso, em nome de Jesus meu Esposo amado, Jesus minha Vida, meu Amor supremo!... Domingo, 5 de março

 

* Ó Pai eterno, não estais ainda comovido? Que é preciso ainda? Almas, ó meu Deus. Dai-me almas ao preço de qualquer sacrifício, minha vida inteira será uma expiação; estou pronta para sofrer tudo.Mas imploro perdão, misericórdia para o mundo, em nome de Jesus meu divino Esposo, Jesus a quem eu quero consolar...O Sr. Chapuis veio à Missão. Ah! Como eu agradeci a Deus!...Manhã de segunda-feira, 6 de março

 

* Que ofensa tão grave deve ser o pecado mortal para que Ele, Bondade suprema, Misericórdia infinita, o castigue tão severamente. O primeiro pecado mortal foi cometido no céu, quando Lúcifer disse: “Não obedecerei”, e imediatamente o abismo do inferno se entreabriu para ele! ...                                              Ó Jesus, perdão, perdão pelas minhas ofensas; perdão pelas minhas cóleras de outrora, perdão pelo meu mau exemplo, meu orgulho e por todas as faltas que cometo com tanta freqüência. Reconheço tudo isto, que não há nenhuma criatura mais miserável do que eu, porque vós me destes tanto, e continuais cumulando-me com vossos dons. Ó Mestre,perdão! Como posso pedir misericórdia para os outros quando sou tão culpada?... Como depois de tantas ofensas não vos afastastes de mim?... Senhor Jesus, meu Esposo, minha Vida, perdão!   Quinta-feira (9 de março) – Noite

 * “O temor é princípio do saber” (Pr 1,7), mas aquele que agir somente por temor não avançará nesta virtude. É preciso pensar no amor, na misericórdia de Deus. Sexta-feira (17 de março) – Noite

 

* Que esse pobre pecador não deixe passar o momento da grande misericórdia. Que aproveite desta Missão para retornar a vós. Meu Deus, o meu coração se despedaça, ouvi-me! Cada vez que eu sinto uma dor encho-me de alegria, e digo: “Maria me ouve!” Sim, sim, é preciso um milagre; espero um milagre!... Domingo (19 de março) – Manhã

 

  1. ÚLTIMO BILHETE PARA SUA MADRE PRIORA, MADRE GERMANA DE JESUS

Madre venerada, Madre consagrada para mim desde a eternidade, partindo deixo-lhe como herança esta vocação que foi a minha no seio da Igreja militante e que doravante preencherei incessantemente na Igreja triunfante: Louvor de glória da Santíssima Trindade. Madre, “deixe-se amar mais do que estes!” O seu Mestre quer que cumpra assim sua missão de Louvor de glória. Ele se alegra de poder edificar sua perfeição mediante o amor e para a sua glória, e é ele só que quer operar mesmo que de sua parte nada tivesse feito para atrair esta graça senão aquilo que faz a criatura: obras de pecado e de misérias... Ele a ama assim, ele a ama-a “mais que os outros”. Ele terá que realizar tudo, irá até ao fim, porque quando uma alma é amada por ele a este ponto, desta forma, amada com amor imutável e criador, com um amor livre que transforma como lhe apraz, oh! como essa alma está destinada a alcançar uma perfeição sublime!

 

  1. Poesias

Poesia 11         Meu epitáfio                          

Vós todos que aqui me amais,

Peço-vos, oh! Não choreis!

Eu deixo um mundo de misérias.

Atendei, meu Deus, minhas orações:

Eu vos verei logo nos Céus

Com os espíritos bem-aventurados.

 

P 37 [Ó pai, há dez anos]                               [2 de outubro de 1897*]

Ó pai, há dez anos

Feria-te a cruel morte!

Deixavas tua viúva desolada,

Tuas filhas tão jovens ainda;

E tua alma deixava a terra,

Lugar de exílio e de misérias,

Para voltar ao seio de Deus,

Na bela cidade dos Céus.

 

P 68                 6 de março de 1899                         

Doravante não quero maus para ti

Outras alegrias senão levar minha Cruz,

Partilhar todas as minhas misérias,

Subir comigo o Calvário

 

            P 75                [Foi por mim que Ele veio]                         

Contemplando a grande miséria

Dos filhos que muito amou,

O Pai numa santa embriaguez,

Dá-lhes seu Verbo adorado.

 

            P 89                [Tudo restaurar no Cristo]                            

Mas nós pecamos, grande é a nossa miséria.

Em que nos tornaremos se Deus não vier a nós?

“Rico em Misericórdia”, Ele permanece nosso Pai.

A oração do Cristo apazigua sua cólera,

“E para fazer brilhar a glória de sua graça,

Ele nos justifica pela redenção”.

Doravante poderemos ver o brilho de sua Face

Porque nos chamou seus “filhos por adoção”.

 

            P 94                [Amar]                                               [29 de julho de 1905*]

“Para o louvor de sua glória”

Saibamos nos imolar sempre

Porque para alcançar a vitória

Deus reclama nossa cooperação.

Imitemos nossas antigas Madres

No seu zelo e no seu fervor.

Sairemos de nossas misérias

E nosso Rei será vencedor.

Redobremos de fidelidade

Para que este plano se realize.

Por nossa generosidade

Ajudaremos a santa Igreja

E ver-se-á reinar o amor

Antegozo da divina Morada.

 

  1. Retiros

 

4. Mas para escutar esta palavra tão misteriosa de, não se pode ficar, por assim dizer, à superfície. É necessário penetrar sempre mais, no Ser divino mediante o recolhimento interior. “Prossigo a minha caminhada, exclamava São Paulo. Também nós devemos descer todos os dias por esta senda do Abismo que é Deus. Deixemo-nos escorregar por esta vertente numa confiança plena de amor. “Um abismo clama por outro abismo”. É aí, no mais profundo, que se operará o choque divino, que o abismo do nosso nada, da nossa miséria, se encontrará frente a frente com o Abismo da misericórdia, da imensidade, do tudo de Deus. É aí que “encontraremos a força necessária para morrermos a nós mesmos e que, ao perdermos o nosso próprio rastro, seremos transformadas em amor... Bem-aventurados os que morrem no Senhor”. 1º Retiro Segunda oração Primeiro dia

 

12. “Quotidie morior”. Morro cada dia, diminuo, renuncio-me cada dia mais, a mim mesma, para que Cristo cresça e seja exaltado em mim. Permaneço humilde no fundo de minha pobreza. “Observo o meu nada, minha miséria, minha impotência. Reconheço-me incapaz de progresso e de perseverança. Vejo a multidão de minhas negligências e meus defeitos; contemplo-me em toda a minha indigência. Prostro-me diante de minha miséria e, reconhecendo minha absoluta pobreza, apresento-a diante da misericórdia de meu divino Mestre. “Quotidie morior”. Ponho a felicidade de minha alma (quanto à vontade e não à sensibilidade), em tudo quanto pode imolar-me, destruir-me, rebaixar-me, porque quero dar lugar ao meu Mestre. “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. Não desejo mais viver de minha própria vida, mas ser transformada em Jesus Cristo, para que a minha vida seja mais divina que humana e que o Pai, ao contemplar-me, possa reconhecer em mim a imagem do “Filho muito amado, no qual ele pôs todas as suas complacências. 1º Retiro Segunda oração Terceiro dia

 

            35. “Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em nossos pecados, nos vivificou junto com Cristo” “Todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus; e são justificados gratuitamente por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus, que Deus estabeleceu como propiciação pelos pecados, mostrando que ele é justo e justifica quem tem fé nele”

“O pecado é um mal tão horrível que, para procurar um bem, por pequeno que seja, ou para evitar um mal qualquer, nenhum pecado deve ser cometido. Ora, já cometemos um grande número. Como poderemos não desfalecer de adoração, quando nos submergimos no abismo da misericórdia e quando os olhos de nossa alma contemplam o fato de que Deus apagou nossos pecados?” Ele o disse: “Sou eu o que apaga as tuas transgressões, e já não me lembro dos teus pecados”  1º Retiro Nono dia Segunda oração

 

40. Parece-me que a atitude da Virgem, durante os meses que se passaram entre a Anunciação e o Natal é o modelo das almas interiores, desses seres por Deus escolhidos para viver “no interior”, no fundo do abismo sem fundo. Com que paz e recolhimento Maria se submetia e se entregava a todas as ocupações! Como as ações mais banais eram divinizadas nela! Porque, em tudo, a Virgem permanecia a adoradora do dom de Deus em todos os seus atos. Esta atitude não a impedia de doar-se exteriormente, quando a caridade o exigia. O Evangelho narra que “Maria percorreu apressadamente as montanhas da Judéia, para dirigir-se à casa da sua prima Isabel”. Jamais a visão inefável, que ela contemplava no seu interior, diminuiu a sua caridade exterior, porque conforme afirma um autor piedoso, “se a contemplação conduz ao louvor e à eternidade de seu Senhor, ela tem em si a unidade e não a perderá jamais”. Se lhe chega uma ordem do céu, volta-se para os homens, compadece-se de todas as suas necessidades, inclina-se sobre todas as suas misérias. Convém que ela chore e fecunde! A contemplação ilumina como o fogo; como ele, queima, absorve e consome, elevando para o céu tudo quanto destruiu. E uma vez cumprida a sua missão na terra, levanta-se e empreende novamente o caminho para a altura, ardendo em seu próprio fogo.

1° Retiro, Décimo dia

 

31. Esta é a obra realizada por Cristo nas almas de boa vontade; e o trabalho que o seu imenso amor, “seu amor excessivo” incita-o a realizar em mim. Ele quer ser a minha paz, para que nada possa distrair-me ou fazer-me sair da fortaleza inexpugnável do santo recolhimento; é aí que me dará “acesso junto ao Pai”, guardando-me imóvel e tranqüila em sua presença, como se a minha alma já estivesse na eternidade. É “pelo sangue da cruz” que pacificará tudo no meu pequeno céu, para que este seja, de fato, o repouso dos “Três”. Deus me encherá de seu Filho, sepultar-me-á nele, fazendo-me reviver, com ele, de sua vida: “Mihi vivere Christus est”. Mas, se venho a cair cada hora que passa, na fé confiante farei com que ele me levante. Sei que me perdoará, que apagará tudo, com um cuidado ciumento; mais do que isso, que me despojará, me libertará de todas as minhas misérias, de tudo o que for obstáculo à ação divina. Sei que arrastará após si todas as minhas potências, fazendo delas suas cativas, triunfando delas em si mesmo. Então serei transformada nele e poderei dizer: “Já não sou eu que vivo, o meu Mestre é que vive em mim, e eu serei “santa, pura, irrepreensível” aos olhos do Pai.  2° Retiro Décimo segundo dia

 


 

Carta nº121

1 Nesta data já é por seu matrimônio a Senhora de Ambry. Continuamos, contudo, dando-lhe o nome de Maria Luisa Maurel para evitar confusões. Elisabete lhe escreve esta carta por motivo da morte de seu primeiro filho.

 Esta perspectiva é também a de Teresa de Lisieux. Todos os termos se encontram em História de uma Alma, pp. 196-198. Teresa havia dado como tema central à toda a sua autobiografia o canto eterno das misericórdias do Senhor.

 A lei da separação, votada em 1905, foi promulgada a 9 de dezembro pelo Presidente da República e plicada no Diário Oficial de 11 de dezembro. Um decreto da Administração pública concernente aos inventários dos bens da Igreja foi publicado a 29 de dezembro.

 

Carta nº270

1 É a carta mais longa que Elisabete da Trindade escreveu em sua vida. Iniciou-a a 11 de setembro e empregou vários dias na sua redação. Está escrita a lápis.

Irmã Elisabete sempre sentiu grande afeto por Francisca de Sourdon, a quem chamava carinhosamente de Framboesa. Era um afeto quase maternal pela diferença de anos que existia entre elas. Contudo, apreciava mais profundamente a sua irmã Maria Luisa Sourdon. Eram duas irmãs temperamentalmente distintas. Maria Luisa era simples e piedosa. Francisca era hipersensível, apaixonada e violenta, porém tinha um grande coração. Elisabete manteve com ela uma correspondência longa e fecunda para conseguir orientá-la na vida.

Carta 279

1 Sua irmã, Senhora de Maizières.

 Elisabete escreve esta carta durante os últimos dias de sua vida. Fê-lo lentamente conforme lhe permitia sua debilidade física. Por desejo expresso de Elisabete, a Madre Germana teria que ler a carta diante de seu féretro. Estava dentro de um envelope lacrado, pequeno e feito por ela mesma. Tinha por título: Segredos para Nossa Reverenda Madre.

Esta carta estava dentro da gaveta da mesa da Madre Germana. Foi encontrada ali depois de sua morte. O envelope está amarelado pela ação do tempo.

A Madre Germana havia nascido a 29 de janeiro de 1870 em Dijon. Pertencia a uma família nobre e distinta. Ingressou no Carmelo de Dijon a 15 de outubro de 1892. Recebeu o Hábito a 6 de abril de 1893 e fez a Profissão religiosa a 24 de setembro de 1894. Era Sub Priora da Comunidade quando ingressou Elisabete da Trindade e exerceu simultaneamente os cargos de Priora e de Mestra de noviças desde outubro de 1901 até 1907. Morreu repentinamente depois de comungar a 30 de novembro de 1934. Havia permanecido sozinha no coro dando graças e ao observar a Comunidade que não voltara à cela, foram buscá-la e a encontraram desmaiada. Não recobrou mais os sentidos. Havia sofrido uma embolia cerebral.

Ninguém como ela intuiu as excelentes qualidades de que estava dotada a Irmã Elisabete. Foi uma grande Religiosa e uma mãe como afirmava sua filha predileta. Era uma alma de oração e contemplação, amante do silêncio interior e do recolhimento externo, fiel zeladora da observância regular. Possuía um perfeito equilíbrio de faculdades. Era uma inteligência lúcida, seus critérios eram seguros, tinha um coração dotado de fortaleza e ternura ao mesmo tempo. Todos estes dons de graça e de natureza fazia dela uma Superiora ideal.

 É uma expressão de entoação sublime que se fez realidade durante o tempo que Elisabete viveu no Carmelo de Dijon. A Madre Germana foi escolhida por Deus para orientar e dirigir esta alma predileta. Foi uma Madre de paz que soube pacificar o espírito de sua filha nas crises de escrúpulos que padeceu. Foi um oceano de paz para ela no longo calvário de sua enfermidade que destruía implacavelmente seu corpo. A Madre Germana não se separou um momento de seu leito de enferma enquanto Elisabete necessitoude sua presença. Na hora de sua agonia, segurava-lhe carinhosamente a mão, demonstrando-lhe com este gesto humano que não se encontrava só no momento supremo de sua vida.

A Madre Germana deve a Elisabete o ser também um Louvor de Glória da Santíssima Trindade. Ela sempre se lembrou de Elisabete com carinho de mãe chamando-a minha filha. Escreveu de joelhos as Memórias que recolhem as virtudes e a vida exemplar de Irmã Elisabete. Era a homenagem que a Madre escolhida por Deus desde toda eternidade tributava a sua filha neste mundo.

P-37. Um domingo de manhã do dia 2 de outubro de 1887.

P-68. A data merece figurar no título: neste dia a senhora Catez dá a sua filha seu consentimento mas com uma espera de dois anos... Elisabete não pode encontrar uma palavra que possa exprimir o seu reconhecimento ao Senhor e a Maria. Ela tentará fazê-lo aqui nesta poesia de vinte e nove estrofes, a mais longa que compôs!

 P-75. A cada ano escreverá seu “Natal”.  Após o último verso das cinco primeiras estrofes, ela escreve: “(bis)”, o que significa que esta poesia era cantada.

 P-75. É assim que se traduzia freqüentemente a expressão latina da Vulgata: “propter nimiam charitatem...”

P-94. A expressão indicava geralmente as primeiras Carmelitas da França. O Carmelo de Dijon havia sido fundado pela Venerável Ana de Jesus, muito ligada a Santa Teresa d’Ávila, e que veio à França como fundadora. Dijon era o terceiro Carmelo francês.

 Cf. Fl 3,12.

 Neste período a imagem do abismo, em Elisabete, provém sobretudo de Ruysbroeck  (aqui Ru 52-53).

 ‘A vertente do amor’: Ru 52. ‘A vertente da humildade’: Ru 101.

Sl 41,8 [Vulg.: Abyssus abyssum invocat...]. Citado em Ru 53.

 Cf. Ru 40: ‘O choque faz-se na profundidade’.

 Esta imagem, associa Ang. 234 (“...o duplo abismo, onde a imensidade divina está frente a frente com o nada do homem”, e citada em GV 5) e de ( de modo menos forte) Ru 2.

 Ap 14,13.

 

Segundo dia

 “Morro cada dia”: 1Cor 15,31.

 Reminiscência de Jo 3,30 (que ela cita em UR, 39): “Ele, deve crescer; e eu, diminuir”(trad. do seu Manual) [“Lui, il faut qu’il croisse et moi, que je diminue”].

 Cf. Ru 1-2. Ruysbroeck fala do justo. Elisabete substitui “ele” e “seu” por “eu” e “meu”.

 Cf. Gl 2,20.

 Cf. CE 12,7; 22,6 [S. João da Cruz]: “aunque vivía el (S.Paulo), no era vida, suya, porque estaba transformado en Cristo; que su vida más era divina que humana”. S. João da Cruz fala de S. Paulo, mas Elisabete muda “sua” em “minha”.

 Cf. Rm. 8,29: “a imagem do seu Filho”, muitas vezes por ela citado.

 Cf. Mt 17,5.

 

Quarto dia

 Cf. Ef 2,4-5 [Vulg.: “... dives est in misericordia, propter nimiam caritatem suam, qua dilexit nos...”].

 Rm 3, 23-26.

Ru 169. Elisabete omite “nem mortal, nem venial”, depois de “cometido”.

 Is 43,25.

 Cf. “A Virgem permanece a perfeita adoradora do dom de Deus”: texto que fez inscrever num pequeno trabalho de bordado, feito por ela durante a sua doença.

 Cf. Lc 1,39-40.

 Ru 224. Elisabete chama aqui “contemplação” o que Ruysbroeck chama  de “liberdade”: a vontade livre, sob o dom da fortaleza.

O texto primitivo dizia: “É esta a obra de  Cristo nas almas de boa vontade e eis o que ele quer fazer em mim, ser minha paz para que nada me tire do seio do Pai, para que aí eu permaneça imóvel e pacífica como se minha alma já estivesse na eternidade”. Pode-se reconhecer nas últimas palavras em sua famosa Elevação a Santíssima Trindade (“Ó meu Deus, Trindade que adoro”). Colou uma meia-folha sobre esta primeira versão e redigiu um segundo texto definitivo. Esta correção foi feita de imediato: a prova disso é que depois da última palavra da primeira versão “eternidade”, a linha ficou em branco. Depois da colagem a redação segue-se de maneira regular.

 Ef 2,4

 Elevação a Santíssima Trindade.

 “Para mim viver é Cristo”: Fl 1,21.

 Cf. Viver de amor de Santa Teresa do Menino Jesus, poesia de que Elisabete muito gostava.

 No contexto a palavra mostra uma alusão a Rm 7,24: “Que homem infeliz que eu sou! Quem me há de libertar deste corpo de morte?” Aqui e nos números 35 e 44 retoma o seu binômio bíblico “despojada, libertada”. “Despojada” vem de Cl 2,15.

Cl 2,15.

 

 Cf. Gl 2,20.

 

Décimo terceiro dia