Irmãs Carmelitas 
SOBRE A ASSOCIAÇÃO IRMÃS CARMELITAS FREIS CARMELITAS ORDEM SECULAR


MISERICÓRDIA EM SANTA TERESINHA

MISERICÓRDIA EM SANTA TERESINHA

 

No ambiente espiritual em que Santa Teresinha viveu, ela conheceu a “imagem de um Deus” que infundia medo nos cristãos. E essa imagem de um “Deus justiceiro” gerou também nela as famosas “crises de escrúpulos”. Mas nos anos 1894-1895, Teresa fez uma grande descoberta: que Deus, é sobretudo, Amor e Misericórdia. Ou em outras palavras, que Ele conhece a nossa fragilidade, e por isso mesmo, nos ama e tem compaixão de nós. E também que, apesar da nossa pequenez nós podemos nos aproximar d’Ele, porque Ele mesmo nos convida por boca de Jesus: “Misericórdia é o que eu quero e não o sacrifício. Pois eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores” (Mt 9,13). Em suma, Santa Teresinha recuperou a verdadeira imagem do Deus Bíblico, que por ser um Deus justo exige a justiça e a retidão de sua criatura, mas diante  da fragilidade e a  pobreza reconhecida, se deixa sempre vencer pelo amor e a misericórdia. A jovem Santa de Lisieux, é portanto, uma verdadeira apóstola da misericórdia, e não é à toa, que ela diz, que em seus manuscritos quer cantar “as misericórdias do Senhor”.

A misericórdia é o tema principal do Manuscrito A.

‘Jesus fez-me sentir que obedecendo, simplesmente, eu lhe seria agradável; aliás, só vou fazer uma coisa: Começar a cantar o que devo repetir eternamente — “As Misericórdias do Senhor!!!” ...’ MA 1

 ‘Aqui está o mistério da minha vocação, da minha vida inteira e, sobretudo, o mistério dos privilégios de Jesus sobre minha alma... Não chama os que são dignos, mas os que Ele quer ou, como diz são Paulo: “Deus se compadece de quem Ele quer e tem misericórdia para quem quer ter misericórdia. Portanto, não é obra de quem quer nem de quem procura, mas de Deus que tem misericórdia”.’ MA 3

 ‘O Senhor sempre foi compassivo comigo e cheio de doçura... Lento em punir-me e abundante em misericórdia!....

Por isso, Madre, é com alegria que venho cantar junto a vós as misericórdias do Senhor...’ MA 9

A flor que vai agora contar sua história fica feliz em poder tornar públicas as atenções totalmente gratuitas de Jesus, reconhece que nada havia nela capaz de atrair seu divino olhar e que foi só a sua misericórdia que fez tudo o que há de bom nela... MA 11

Oh! que se dignem abençoar a menor dos seus filhos e ajudá-la a cantar as misericórdias divinas!... MA12

 ‘Minha vida corria tranqüila e feliz. O afeto que me envolvia nos Buissonnets fazia-me crescer, por assim dizer. Mas, sem dúvida, eu era bastante crescida para começar a lutar, para começar a conhecer o mundo e as misérias que o inundam...’ MA 73

Com minha natureza tímida e delicada, não sabia defender-me e contentava-me em chorar sem nada dizer, não me queixando, nem a vós, do que eu sofria. Não tinha virtude bastante para elevar-me acima dessas misérias da vida, e meu pobre coração sofria muito... Felizmente, toda noite, reencontrava o lar paterno e então meu coração se alegrava. Pulava no colo do meu rei, contava-lhe as notas recebidas, e seu beijo fazia-me esquecer todas as aflições...’ MA 75

Portanto, não tenho mérito algum em não me ter entregado ao amor das criaturas, sendo que fui preservada pela grande misericórdia de Deus!... Reconheço que, sem Ele, poderia ter caído tão baixo quanto santa Madalena e a palavra profunda de Nosso Senhor a Simão ressoa com grande doçura em minha alma... MA 119

Mas se meu coração não tivesse sido elevado para Deus desde seu despertar, se o mundo me tivesse sorrido desde minha entrada na vida, o que teria sido de mim?... Oh, Madre querida (Sl 88, 2), com que gratidão canto as misericórdias do Senhor! MA 124

Nessa noite de luz, começou o terceiro período da minha vida, o mais bonito de todos, o mais cheio das graças do Céu... Num instante, a obra que eu não pude cumprir em dez anos, Jesus a fez contentando-se com a boa vontade que nunca me faltara. Como os apóstolos, podia dizer-Lhe: “Senhor, pesquei a noite toda sem nada pegar”. Ainda mais misericordioso comigo do que com os discípulos, Jesus pegou Ele mesmo a rede, lançou-a e retirou-a cheia de peixes... Fez de mim um pescador de alma, senti um desejo imenso de trabalhar pela conversão dos pecadores, desejo que não sentira tanto antes... Em suma, senti a caridade entrar em meu coração, a necessidade de me esquecer para agradar e, desde então, fiquei feliz!...MA 134

No fundo do meu coração, tinha certeza de que nossos desejos seriam atendidos. Mas, a fim de ter coragem para continuar a rezar pelos pecadores, disse a Deus estar segura de que Ele perdoaria o pobre infeliz Pranzini, que acreditaria mesmo que não se confessasse e não desse sinal nenhum de arrependimento, enorme era minha confiança na misericórdia infinita de Jesus, mas Lhe pedia apenas um sinal de arrependimento, para meu próprio consolo... Minha oração foi atendida ao pé da letra! Apesar da proibição de papal de lermos jornais, não pensava desobedecer lendo as passagens que falavam de Pranzini. No dia seguinte à sua execução, cai-me às mãos o jornal “La Croix” Abro-o apressada e o que vejo?... Ah! minhas lágrimas traíram minha emoção e fui obrigada a me esconder... Pranzini não se confessou, subiu ao cadafalso e preparava-se a colocar a cabeça no buraco lúgubre quando, numa inspiração repentina, virou-se, apanhou um Crucifixo que lhe apresentava o sacerdote e beijou por três vezes suas chagas sagradas!... Sua alma foi receber a sentença misericordiosa Daquele que declarou que no Céu haverá mais alegria por um só pecador arrependido do que por 99 justos que não precisam de arrependimento!... MA 135

Quando um jardineiro cerca de cuidados uma fruta que ele quer fazer amadurecer prematuramente, nunca é para deixá-la na árvore, mas para apresentá-la numa mesa brilhantemente servida. Era com uma intenção semelhante que Jesus prodigalizava suas graças a sua florzinha... Ele que, nos dias da sua vida mortal, exclamava: “Pai, bendigo-vos por ter escondido essas coisas aos sábios e aos prudentes e tê-las revelado aos humildes”, queria revelar em mim sua misericórdia, porque eu era pequena e fraca, inclinava-se para mim, instruía-me em segredo das coisas do seu amor. MA 141

Antes do meu ingresso no Carmelo, fiz ainda muitas outras experiências a cerca da vida e das misérias do mundo, mas esses detalhes me levariam longe demais. Vou retomar o relato da minha vocação. MA 150

Compreendi em que consiste a verdadeira glória. Aquele cujo reino não é deste mundo ensinou-me que a verdadeira sabedoria consiste em “querer ser ignorado e tido por nada, em colocar sua alegria no desprezo de si mesmo”... .Ah! como o de Jesus, queria que “meu rosto fosse verdadeiramente escondido, que ninguém me reconhecesse nesta terra”. Tinha sede de sofrer e ser esquecida... Como é misericordiosa a via pela qual Deus sempre me conduziu, nunca me fez desejar alguma coisa sem dá-la a mim, por isso seu amargo cálice me pareceu delicioso... MA 200

Estais vendo, Madre querida, que estou muito longe de ser levada pelo temor, sempre encontro o meio de ser feliz e tirar proveito das minhas misérias... Sem dúvida, isso não desagrada a Jesus, pois parece encorajar-me nessa via. Um dia, contrariamente a meu hábito, estava um pouco perturbada ao ir comungar, tinha a impressão de que Deus não estava contente comigo e pensava: “Ah! se hoje eu receber só metade de uma hóstia vou ficar muito aflita, vou crer que Jesus vem forçado ao meu coração”. Aproximo-me... oh felicidade! pela primeira vez na minha vida, vejo o padre pegar duas hóstias, bem separadas, e dá-las a mim!... Compreendeis minha alegria e as doces lágrimas que derramei vendo tão grande misericórdia... MA 226

Sim, há três anos compreendi os mistérios até então ocultos a mim. Deus teve para comigo a mesma misericórdia que teve para com o rei Salomão. Não quis que eu tivesse um único desejo realizado, não só meus desejos de perfeição, mas ainda todos aqueles cuja vaidade compreendia sem a ter experimentado. MA 229

Oh Madre querida! depois de tantas graças, posso cantar com o salmista: “O Senhor é bom, eterna é sua misericórdia”. Parece-me que, se todas as criaturas tivessem as mesmas graças que tenho, Deus não seria temido por ninguém, mas amado loucamente, e por amor, não tremendo, as almas recusariam causar-lhe tristeza... Compreendo que as almas não podem ser todas iguais, é preciso que existam de diversas famílias a fim de honrar especificamente cada uma das perfeições de Deus. A mim, Ele deu sua infinita Misericórdia e é por meio dela que contemplo e adoro as demais perfeições divinas!... Então, todas me parecem radiantes de amor, a própria Justiça (e talvez mais que as outras) me parece revestida de amor. MA 236

 ‘Neste ano, em nove de junho, festa da Santíssima Trindade, recebi a graça de compreender mais do que nunca quanto Jesus deseja ser amado.

Pensava nas almas que se oferecem como vitimas à Justiça divina, a fim de desviar e atrair sobre si os castigos reservados aos culpados. Esse oferecimento parecia-me grande e generoso, mas estava longe de sentir-me inclinada a fazê-lo. “Oh meu Deus! exclamei no fundo do meu coração, só vossa Justiça recebe almas que se imolam como vítimas?... Vosso Amor Misericordioso não precisa também? Em todo lugar é desconhecido, rejeitado; os corações aos quais quereis prodigalizá-lo inclinam-se para as criaturas pedindo a elas a felicidade com sua miserável afeição, em vez de lançar-se em vossos braços e aceitar vosso infinito Amor... Oh meu Deus! vosso Amor desprezado vai ficar em vosso Coração? Parece-me que se encontrásseis almas que se oferecessem como vítimas de holocausto ao vosso Amor, as consumiríeis rapidamente. Parece-me que estaríeis feliz em não conter as ondas de infinitas ternuras que estão em vós... Se vossa justiça gosta de descarregar-se, embora só se exerça na terra, quanto mais vosso Amor Misericordioso que se eleva até os Céus, deseja abrasar as almas... Oh meu Jesus! que seja eu essa feliz vitima, consumais vosso holocausto pelo fogo do vosso divino Amor!...”

Oh! Como é doce o caminho do Amor!... Como quero me esforçar para fazer sempre, com o maior desprendimento, a vontade de Deus!...

Madre querida, vós que permitistes que eu me oferecesse assim a Deus conheceis os rios, ou melhor, os oceanos de graças que vieram inundar minha alma... Ah! Desde esse feliz dia, parece-me que o Amor me penetra, me cerca; que a cada instante esse Amor Misericordioso me renova, purifica minha alma e não deixa vestígio algum de pecado. Portanto, não posso temer o purgatório... Sei que por mim mesma não mereço entrar nesse lugar de expiação, pois só as almas santas podem ter acesso a ele, mas sei também que o Fogo do Amor é mais santificante que o do purgatório, sei que Jesus não pode desejar sofrimentos inúteis para nós e que Ele não me inspira desejos que não quer satisfazer. ’ MA 238

            Como terminará essa “história de uma florzinha branca”? Talvez a florzinha seja colhida no seu frescor ou transplantada a outras praias”... ignoro-o, mas tenho certeza de que a Misericórdia de Deus a acompanhará sempre, porque nunca deixará de abençoar (Sl 22,6) a Madre querida que a deu a Jesus, regozijar-se-á eternamente  por ser uma das flores da sua coroa... MA 239

            Jesus sente prazer em mostrar-me o único caminho que leva para essa fornalha divina, e esse caminho é a entrega da criancinhque adormece sem receio no colo do pai... “Quem for criança, venha cá”, disse o Espírito pela boca de Salomão, e esse mesmo Espírito de Amor disse também que “a misericórdia é dada aos pequenos”. MB 242

             ‘Ó Jesus, sei, o amor só se paga com o amor; por isso, procurei, achei o meio de aliviar meu coração retribuindo Amor com Amor. “Granjeai amigos com a vil riqueza, para que, quando esta vier a faltar, eles vos recebam nas tendas eternas.” Eis, Senhor, o conselho que dás a teus discípulos depois de teres dito a eles que “os filhos deste mundo são mais atilados que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes». Filha da luz, compreendi que meus desejos de ser tudo, de abraçar todas as vocações, eram riquezas que bem poderiam tornar-me injusta, servi-me delas para granjear amigos... Lembrando-me do pedido de Eliseu a seu Pai Elias quando se atreveu a pedir-lhe dupla porção do seu espírito, apresentei-me diante dos anjos e dos santos e lhes disse: “Sou a menor das criaturas, conheço minha miséria e minha fraqueza, mas sei também como os corações nobres e generosos gostam de fazer o bem, suplico-vos, portanto, ó bem-aventurados habitantes do Céu, que me adoteis por filha, a glória que me fizerem adquirir será só para vós, mas dignai-vos atender o meu pedido; sei que é temerário, mas atrevo-me a pedir que obtenhais para mim vosso duplo Amo?.’ MB 256.

            ‘Às vezes, o coração do passarinho é vitima de tempestade, parece não acreditar que existem outras coisas além das nuvens que o envolvem. Esse é o momento da felicidade perfeita para o pobre serzinho frágil. Que felicidade ficar aí, assim mesmo; fixar a luz invisível que escapa à sua fé!!!... Jesus, até agora, compreendo teu amor para com o passarinho, pois ele não se afasta de Ti... mas sei, e Tu sabes também, muitas vezes a criaturinha imperfeita, embora permaneça a postos, isto é, debaixo dos raios do Sol, distrai-se um pouco da sua única ocupação, cata um grãozinho aqui, outro acolá, corre atrás de um inseto.., e, encontrando uma pocinha d’água, banha suas peninhas. Quando vê uma flor que lhe agrada, sua mente se prende a ela... enfim, não podendo planar como as águias, o passarinho ocupa-se com as bagatelas da terra. Após todas essas indelicadezas, em vez de esconder-se num cantinho para chorar sua miséria e morrer de arrependimento, o passarinho volta-se para seu bem-amado Sol, expõe suas asinhas molhadas aos seus raios, geme como a andorinha e no seu canto suave confidencia, relata detalhadamente suas infidelidades, pensando, no seu temerário abandono, adquirir mais poder, atrair mais fortemente o amor Daquele que não veio chamar os justos, mas os pecadores...’ MB 261

            Ó Jesus! como posso dizer a todas as pequenas almas quanto é inefável a tua condescendência..., sinto que, embora seja impossível, se tu encontrasses uma alma mais fraca, menor que a minha, terias prazer em cumulá-la de favores ainda maiores, caso ela se abandonasse com inteira confiança à tua misericórdia infinita. MB 265

            Querida Madre, manifestastes o desejo de que eu termine de cantar convosco as Misericórdias do Senhor. MC 266

            Ó meu Deus, superastes minha expectativa e quero cantar as vossas misericórdias. “Vós me instruístes, ó Deus, desde a minha juventude, e até agora proclamo as vossas maravilhas; e também até à velhice, até à canicie continuarei a publicá-las.” MC 272

             ‘Oh Madre! nunca senti tão bem como o Senhor é compassivo e misericordioso, só me mandou essa provação no momento em que tive a força para suportá-la, creio que, mais cedo, ela me teria mergulhado no desânimo... Agora, subtrai-me tudo o que poderia se encontrar de satisfação natural no desejo que tinha do Céu... Madre querida, parece-me que agora nada me impede de levantar vôo, pois não tenho mais grandes desejos a não ser o de amar até morrer de amor... (9 de junho)’ MC 280

             ‘Madre, já me dissestes que para viver em Carmelos estrangeiros é preciso ter uma vocação toda especial. Muitas almas pensam ser chamadas sem o ser de fato. Dissestes-me também que eu tinha essa vocação e que só minha saúde era empecilho. Sei que esse obstáculo sumiria se Deus me chamasse para uma terra longínqua; portanto, vivo sem preocupações. Se eu precisar, um dia, deixar meu querido Carmelo, ah! não seria sem ferida, Jesus não me deu um coração insensível, mas é justamente por ser capaz de sofrer que desejo que ele dê a Jesus tudo o que pode dar. Aqui, Madre querida, vivo sem preocupação alguma com os cuidados da miserável terra. Só tenho de cumprir a suave e fácil missão que me confiastes.’ MC 285

 Desde aquele tempo, Deus fez-me [21r] compreender haver almas que sua misericórdia espera sem cansar, às quais dá sua luz aos poucos. Por isso, eu tinha o cuidado de não apressar sua hora e esperava pacientemente que Jesus a fizesse chegar. MC 306

Refletindo sobre a permissão concedida para nos entretermos, de acordo com as nossas santas constituições, para nos inflamar mais no amor por nosso Esposo, pensei com pesar que nossas conversas não alcançavam a meta desejada. Deus fez-me sentir, então, que chegara o momento em que eu devia falar ou encerrar essas conversações que mais se pareciam com as das amigas do mundo. Era um sábado. No dia seguinte, durante minha ação de graças, pedi a Deus para que pusesse em minha boca palavras suaves e convincentes, ou melhor, que Ele mesmo falasse por meu intermédio. Jesus atendeu ao meu pedido e permitiu que o resultado correspondesse inteiramente à minha expectativa, pois “olhai para ele e sereis esclarecidos” e “brilha para os retos, qual farol nas trevas, o Benigno, o Misericordioso e o Justo”. A primeira citação dirige-se a mim e a segunda à minha companheira que, na verdade, tinha o coração reto...’ MC 307

Oh! misericórdia infinita do Senhor que escuta a oração das suas crianças... No final da quaresma, mais uma alma consagrava-se a Jesus. Era verdadeiro milagre da graça, milagre obtido pelo fervor de uma única noviça! MC 316

Assim é que Deus se digna cuidar de mim. Nem sempre pode me dar o pão fortificante da humilhação exterior, mas de vez em quando permite que me alimente das migalhas que caem da mesa das crianças. Ah! como é grande a sua misericórdia, só poderei [27v] cantá-la no Céu... MC 321

Madre querida, sendo que, convosco, começo a cantar na terra essa misericórdia infinita, preciso contar-vos mais um grande favor obtido na missão que me confiastes. Outrora, quando via uma irmã fazer alguma coisa que me desagradava e me parecia irregular, dizia para mim mesma: Ah!, se eu pudesse dizer-lhe o que penso, mostrar-lhe o erro, isso me faria bem. Depois que comecei a praticar um pouco o oficio, asseguro-vos, Madre, que mudei totalmente de sentimento. Quando vejo uma irmã fazer alguma coisa que me parece imperfeita, solto um suspiro de alívio e penso: Que felicidade! Não é uma noviça, não tenho obrigação de repreendê-la. Logo procuro desculpar a irmã e atribuir-lhe umas boas intenções que, sem dúvida, tem para agir dessa forma. MC 322

Madre querida, talvez estejais surpresa por eu relatar esse pequeno ato de caridade, acontecido há tanto tempo. Ah! o fiz porque sinto que preciso cantar, por causa dele, as misericórdias do Senhor. MC 326

Sabeis, Senhor, não tenho outros tesouros senão as almas que vos dignastes unir à minha; fostes vós que me confiastes esses tesouros, por isso ouso tomar de empréstimo as palavras que dirigistes ao Pai celeste na última noite que passastes na terra, viajante e mortal. Jesus, meu Bem-Amado, não sei quando acabará meu exílio.. mais de uma tarde me verá cantar ainda no exílio as vossas misericórdias, mas, enfim, para mim também, chegará a última noite. MC 335

Mesmo que eu tivesse na consciência todos os pecados que se possa cometer, iria, com o coração dilacerado pelo arrependimento lançar-me nos braços de Jesus, pois sei o quanto ama o filho pródigo que volta para Ele. Não é porque Deus, na sua obsequiosa misericórdia, preservou minha alma do pecado mortal que me elevo [37r] para Ele pela confiança e pelo amor. MC 339

 

  1. CARTAS

Maria, se tu nada és, não podes esquecer que Jesus é tudo, por isso, deves perder teu pequeno nada no seu tudo infi­nito e não mais pensar senão nesse tudo unicamente amável1… Não podes desejar tampouco ver o fruto recolhido dos teus esforços; Jesus se compraz em guardar só para Ele estes pequenos nadas que o consolam… Enganas-te, minha querida, se crês que tua pequena Teresa anda sempre com ardor no caminho da virtude, ela é fraca e muito fraca, todos os dias faz disso uma nova experiência, mas, Maria, Jesus gosta de ensinar-lhe, como a são Paulo, a ciência de glorificar-se em suas enfermidades, é esta uma grande graça e peço a Jesus para ta ensinar, pois só aí se encontra a paz e o descanso do coração, quando nos vemos tão miseráveis não queremos já olhar para nós e só olhamos para único Bem-Amado!…’  

C 109  Para Maria Guérin.  27-29 de julho de 1890

 

Uma alma justa tem tanto poder sobre meu coração que pode obter o perdão para mil criminosos2”. Ninguém sabe se é justo ou pecador, mas, Celina, Jesus concede-nos a graça de sentirmos no fundo do nosso coração que nós gostaríamos mais de morrer que de ofendê-lo, e depois não são nossos méritos, mas os do nosso esposo que são os nossos que oferecemos a nosso Pai que está nos Céus, a fim de que nosso irmão, um filho da Santíssima Virgem, volte vencido lançar-se sob o manto da mais misericordiosa das Mães…   C 129  Para Celina.

 

Tua pobre empregada é muito infeliz por ter tão desagradável defeito, sobretudo o de ser falsa, mas não poderias tu convertê-la, assim como a seu marido? Para todo pecado há misericórdia e Deus é bastante [1v] poderoso para dar consciência às pessoas que não a têm. Vou rezar muito por ela, talvez, no seu lugar, eu fosse pior do que ela e quem sabe se ela seria uma grande santa se tivesse recebido metade das graças que Deus me deu.        C 147 Para Celina.

 

Enfim, para consolar-nos, Nosso divino Salvador não enviou o anjo que o amparou no Getsêmani, mas um dos seus santos ainda peregrino pela terra e revestido da sua Força divina; vendo sua tranqüilidade, sua resignação, nossas angústias dissiparam-se, sentimos o apoio de uma mão paternal… Ó minha querida tiazinha! Como são grandes as misericórdias de Deus para com vossas pobres filhas!…     C 178  Para a Senhora Guérin.

 

“Se alguém é pequenino, que venha a mim”, disse o Espírito Santo pela boca de Salomão, e esse mesmo Espírito de Amor disse ainda que “a misericórdia é concedida aos pequenos”. C 196 Para Irmã Maria do Sagrado Coração

Irmã querida, como podeis dizer, depois disso, que meus desejos são o sinal do meu amor?… Ah! sei muito bem que não é nada disso que agrada a Deus na minha alma pequenina, o que lhe agrada é ver-me amar a minha pequenez e a minha pobreza, é a esperança cega que tenho na sua misericórdia… Eis meu único tesouro. Madrinha querida, por que esse tesouro não poderia ser também vosso?…   Ó minha irmãzinha querida, se não me compreendeis, é porque sois uma alma grande… ou antes é por eu me explicar mal, pois tenho certeza que Deus não vos daria o desejo de ser POSSUÍDA por Ele, por seu Amor misericordioso se não vos reservasses esse favor… ou melhor, já vos fez tal favor, pois vos entregastes a Ele, desejais ser consumida por Ele e Deus nunca inspira desejos que não possa realizar…     C 197   Para Irmã Maria do Sagrado Coração.

 

‘Talvez queirais saber, meu irmão, que obstáculo encontrava na realização da minha vocação; nada mais do que a minha pouca idade. O nosso bom padre superior negou-se formalmente em aceitar-me antes que completasse vinte e um anos. Dizia que uma criança de quinze anos não podia saber do alcance do seu compromisso. Sua conduta era prudente e não duvido que, provando-me, cumpria a vontade de Deus que desejava fazer-me conquistar a fortaleza do Carmelo à ponta da espada. Possivelmente, Jesus deu permissão ao demônio para entravar uma vocação que não era, certamente, do gosto desse miserável privado de amor, como o chamava nossa santa Madre; felizmente, todos esses estratagemas serviram para sua vergonha, para tornar mais retumbante a vitória de uma criança. Se quisesse descrever-vos todos os detalhes do combate que tive de travar, ser-me-ia necessário muito tempo, muita tinta e muito papel.’     C 201      Para o padre Roulland.

 

 Dizeis que rezais freqüentemente pela vossa irmã; como tendes essa caridade, gostaria muito que, cada dia, fizésseis por ela a seguinte oração que contém todos os seus desejos: “Pai misericordioso, em nome do nosso doce Jesus, a Virgem Maria e dos Santos, peço que abraseis a minha irmã com o vosso Espírito de Amor e lhe concedais a graça de fazer amar-vos muito”. C 220            Para o padre Bellière.

 

Gostaríeis, talvez, de saber o que pensa nossa Madre da minha ida para o Tonquim? Acredita na minha vocação (pois, na verdade, é preciso ter uma vocação especial e nem toda carmelita se sente chamada ao exílio), mas não acredita que a minha vocação possa realizar-se. Seria necessário para isso que a bai­nha fosse tão sólida como a espada e, talvez (nossa Madre acredita), a bainha fosse lançada ao mar antes de chegar a Tonquim. Portanto, não é prático ser composto de corpo e alma! Este miserável irmão asno, como o chamava são Francisco de Assis, tolhe com freqüência sua nobre irmã e a impede de lançar-se onde quer… Enfim, não quero amaldiçoá-lo, apesar dos seus defeitos, ainda serve para alguma coisa, pois ajuda a sua companheira a merecer o Céu, e merecê-lo para si mesmo. C221    Para o padre Roulland.

 

Jesus, na sua misericórdia, quis que, entre estas flores, houvesse umas mais pequenas, nunca poderei agradecer-lhe o suficiente pois [2f] é graças a esta condescendência que eu, pobre flor sem brilho, encontro-me no mesmo canteiro que as rosas, minhas irmãs. Ó meu irmão! suplico-vos, acreditai, Deus não vos deu por irmã uma grande alma, mas uma muito pequenina e muito imperfeita. ... Eis por que ouso esperar que “meu exílio será curto4”, mas não é porque estou pronta; sinto que nunca o deixaria se o Senhor não se empenhasse em me transformar; Ele pode fazê-lo num instante; depois de todas as graças com que me cumulou, ainda espero essa da sua infinita misericórdia. ...Dizeis, meu irmão, para pedir para vós a graça do martírio; solicitei-a para mim muitas vezes, mas sou indigna dela e podemos dizer com são Paulo: “Não depende daquele que quer, nem daquele que corre, mas de Deus que usa de misericórdia”. C 224 Para o Padre Bellière.

 

Ser justo não consiste em exercer a severidade para punir os culpados, é também reconhecer as retas intenções e recompensar a virtude. Espero tanto da justiça de Deus como da sua misericórdia. É por ser justo que “Ele é compassivo e repleto de doçura, lento em punir e generoso em misericórdia.  C 226         Para o padre Roulland.

 

Não repreendestes a vossa filhinha embora o merecesse; mas a isso está habituada a vossa filhinha, a vossa doçura fala mais do que palavras severas, sois para ela a imagem da misericórdia de Deus. ... Ah! mãezinha vós que sois o doce eco da minha alma, compreende­reis que, esta noite, o vaso da misericórdia divina transbordou sobre mim!… Vós compreendereis que fostes e sereis sempre o Anjo encarregado de me guiar e de me anunciar as misericórdias do Senhor!…                    C 230 Para Madre Inês de Jesus.

 

Doravante, Maria não deve olhar mais nada nesta terra, e olhar só o Deus misericordioso, o Jesus da eucaristia!…C 234      Para Irmã Maria da Eucaristia.

 

Agradeço a Jesus por ter-vos olhado com olhar de amor como outrora ao jovem do Evangelho. Mais feliz do que ele, respondestes fielmente ao chamado do Mestre, deixastes tudo para segui-Lo e na mais bela idade da vida, aos dezoito anos. Ah! meu irmão, como eu, podeis cantar as misericórdias do Senhor, elas brilham em vós com todo esplendor… Amais santo Agostinho, santa Madalena, almas a quem “muitos pecados foram perdoados [2f] porque amaram muito”. Eu também os amo, amo o seu arrependimento e, sobretudo… sua amorosa audácia4! Quando vejo Madalena avançar diante dos numerosos convidados, molhar com suas lágrimas os pés de seu Mestre adorado que toca pela primeira vez, sinto que seu amor compreendeu os abismos de amor e de misericórida do Coração de Jesus, e embora pecadora, este Coração de amor não só está disposto a perdoar-lhe, mas também a prodigalizar-lhe os favores da sua divina intimidade, a levá-la até os mais altos cumes da contemplação… Ah! meu querido irmãozinho, a partir do momento em que me foi dado compreender também o amor do Coração de Jesus, confesso que expulsou qualquer temor do meu coração. A lembrança das minhas faltas humilha-me, leva-me a nunca contar com a minha força que não passa de fraqueza, mas esta lembrança fala-me ainda mais de misericórdia e de amor.                      C 247 Padre Bellière.

 

            Quando receberdes esta carta, sem dúvida, terei deixado a terra. Na sua infinita misericórdia, o Senhor terá aberto para mim o seu reino e poderei tomar dos seus tesouros para pro­di­galizá-los às almas que me são caras. C 254            Para o padre Roulland.

 

(Mesmo que a santa não mencione a palavra nesta carta ela revela o quanto devemos agir com confiança na misericórdia)  Eu queria tentar fazer-vos compreender por uma comparação muito simples, como Jesus ama as almas mesmo imperfeitas que confiam nele: Suponha que um pai tenha dois filhos levados e desobedientes e, chegando para castigá-los, vê um deles tremer e se afastar com terror, mas tendo no fundo do coração o sentimento de merecer o castigo; o outro, ao contrário, lança-se nos braços do pai dizendo que se arrepende de o ter desgostado, que o ama e que, para provar, será obediente daquele momento em diante; e se esse filho pedir [2v], com um beijo ao pai para puni-lo, não creio que o coração do feliz pai possa resistir à confiança filial do seu filho de quem conhece a sinceridade e o amor. Não ignora, todavia, que seu filho recairá nas mesmas faltas, mas está disposto a perdoá-lo sempre se, sempre, o filho o pegar pelo coração… Nada vos digo do primeiro filho, meu querido irmãozinho, deveis imaginar se o pai pode amá-lo tanto e tratá-lo com a mesma indulgência…  C 258 Para o padre Bellière.

 

Para os que o amam e que, depois de cada indelicadeza, vêm pedir-Lhe perdão lançando-se nos seus braços, Jesus vibra de alegria, Ele diz para os seus anjos o que o pai do filho pródigo dizia para os seus servidores: “Trazei depressa a melhor veste e vesti-lhe; ponde-lhe um anel no dedo e calçados nos pés, regozijemo-nos”. Ah! meu irmão, como a bondade, o amor misericordioso de Jesus são pouco conhecidos!… É verdade que, para gozar destes tesouros, é preciso humilhar-se, reconhecer o próprio nada, e é isso o que muitas almas não querem fazer, mas, meu irmãozinho, não é assim que procede por isso a via da confiança simples e amorosa é feita para vós. C 261     Para o padre Bellière.

 

Ó meu Deus, como sois meigo para com a vitimazinha do vosso Amor misericordioso! C 262     Para Irmã Genoveva.

 

Confesso ao meu irmãozinho, que não compreendemos o Céu da mesma maneira. Parece-vos que por participar da justiça, da santidade de Deus, eu não poderei, como na terra, desculpar as vossas faltas. Estais vos esquecendo, então, que participarei também da misericórdia infinita do Senhor? Creio que os Bem-aventurados têm grande compaixão das nossas misérias, lembram-se que, quando frágeis e mortais como nós, cometeram as mesmas faltas, sustiveram os mesmos combates e sua ternura fraternal passa a ser ainda maior do que era na terra, é por isso que eles não cessam de proteger-nos e rezar por nós. C 263  Para o padre Bellière.

 

Não posso temer um Deus que se fez por mim tão pequeno… amo-o!… pois é só amor e misericórdia! C 266     Para o padre Bellière

 

  1. ORAÇÕES

No dia 24 de fevereiro de 1897, pedirão que faça por ela, “todos os dias”, esta oração: “Pai de misericórdia, em nome de nosso Doce Jesus, da Virgem Maria e dos Santos, eu vos peço que inflameis com vosso Espírito de Amor a minha irmã, e que lhe concedais a graça de fazer com que muito vos ame”.

Or.6 Oferenda de mim mesma como Vítima de Holocausto ao Amor Misericordioso do Bom Deus

 ‘...A fim de viver em um ato de perfeito Amor, ofereço-me como vítima de holocausto a vosso Amor misericordioso, suplicando-vos que me consumais [2v] incessantemente, deixando transbordar em minha alma as ondas de infinita ternura que estão encerradas em vós e que assim eu me torne Mártir de vosso Amor, ó meu Deus!…

Que esse martírio, depois de me ter preparado para comparecer diante de vós, me faça enfim morrer e que minha alma se atire sem demora no eterno enlace de vosso Misericordioso Amor…’

 

Or. 7 Oração a Jesus no tabernáculo

Ó Jesus! como eu ficaria feliz se tivesse sido bem fiel, mas pobre de mim! muitas vezes fico triste, à noite, pois sinto que poderia ter correspondido melhor às vossas graças... Se eu fosse mais unida a vós, mais caridosa com minhas irmãs, mais humilde e me mortificasse mais, teria menor dificuldade para conversar convosco na oração. No entanto, ó meu Deus! bem longe de desanimar vendo minhas misérias, venho a vós confiante, lembrando-me de que: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes”. Eu vos suplico, pois, a cura, o perdão, e me lembrarei, Senhor, “que a alma à qual perdoastes mais deve também amar-vos mais que as outras!...” Ofereço-vos todas as batidas de meu coração como outros tantos atos de amor e de reparação, e os uno a vossos méritos infinitos. Suplico-vos, ó meu Divino Esposo, que sejais vós mesmo o Reparador de minha alma, [180 v] que opereis em mim sem levar em conta minhas resistências, enfim, já não quero ter outra vontade senão a vossa; e amanhã, com o auxílio de vossa graça, recomeçarei uma nova vida da qual cada instante será um ato de amor e de renúncia.’

 

Or. 10 Oferenda do dia

‘Meu Deus, eu vos ofereço todas as minhas ações de hoje, nas intenções1 e para a glória do Sagrado Coração de Jesus; quero santificar as batidas de meu coração, meus pensamentos e obras mais simples, unindo-os a seus méritos infinitos, e reparar minhas faltas, lançando-as na fornalha de seu amor misericordioso.  ...’

Or 20 Oração para conseguir a Humildade

            ‘Mas, Senhor, conheceis minha fraqueza: a cada manhã, tomo a resolução de praticar a humildade, e de noite reconheço que ainda cometi muitos pecados de orgulho; diante disso, sou tentada a desanimar, porém — eu sei — o desânimo também é orgulho. Quero, pois, ó meu Deus, apoiar sobre vós somente minha esperança; como podeis tudo, dignai-vos fazer nascer em minha alma a virtude que desejo. Para obter essa graça de vossa infinita misericórdia, eu vos repetirei com bastante freqüência: “Ó Jesus, doce e humilde de oração, fazei meu coração semelhante ao vosso!”’

 

Oh! como sou feliz por me ver imperfeita e precisar tanto da misericórdia do bom Deus na hora da morte!

 

  1. RECREAÇÕES PIEDOSAS

Nunca se aproveita da situação para introduzir “suas idéias”, mas tampouco deixa de fazer descobrir a misericórdia de Deus.

            E os povos vêem sem entender, nem prestam atenção ao fato de que favor e misericórdia são para os seus eleitos e proteção para os seus santos.

Oh! Maravilha da misericórdia de Deus oculta aos sábios e aos hábeis [Lc 15, 4] e revelada aos pequenos, às ovelhas errantes e infiéis!…

os homens se deixam enganar [Sb 4, 7-14] pelo apego às vaidades da terra, esquecendo que possuem uma alma criada à imagem de Deus. Assim, Jesus fez uso de uma grande misericórdia ao retirar do mundo a falange infantil que, neste momento, goza do repouso eterno.

Então, esse Deus de bondade e misericórdia recompensará magnificamente, não só as ações brilhantes cumpridas para Ele, mas também os simples desejos de servi-lo e amá-lo, pois Ele vê tudo, seu olhar penetra o fundo dos corações [1 Cr 28, 9], os mais secretos pensamentos não Lhe são ocultos e, como diz o profeta Isaías: “Não julgará segundo as aparências, nem sentenciará segundo o que ouve dizer, mas julgará com eqüidade os pobres e sentenciará com retidão para os humildes da terra” [Is 11, 3-4].

Sem dúvida, os que amais ofenderão Deus que os cumulou de favores; mas tendes confiança na misericórdia infinita de Deus; é grande bastante para redimir os maiores crimes quando encontra um coração materno que deposita nela toda a sua confiança.

Rogai a Deus, meu filho, para que se digne usar de misericórdia para comigo e tornar-me menos indigno da nova missão que Ele me confiou.

Padre, Deus, em sua misericórdia, dignou-se chamar-me a Ele desde a aurora da minha vida; em vez de comunicar esse chamado a meu diretor, resisti durante dezoito meses à graça que me solicitava.

Como um pai tem ternura pelos seus filhos, assim o Senhor se compadece de nós. Assim como o nascente está distante do poente, assim também ele afasta de nós os pecados dos quais somos culpados. O Senhor é compassivo e cheio de mansidão: lento para punir e abundante em misericórdia     (Sl 102)

 

  1. POESIAS

Se tenho as armas poderosas do Guerreiro

E se, valentemente, O imitar na luta,

Como a Virgem das Graças encantadoras,

Quero também cantar em meu combate.

Fazes vibrar as cordas de Tua lira,

Que é, meu Jesus, meu próprio coração!7

Então posso gozar Tuas misericórdias,

Cantar a força e a doçura.

Sempre sorrindo enfrentarei metralhadoras

E, nos Teus braços, meu Divino Esposo,

Cantando morrerei no campo de batalha,

Com as armas na mão!…  P 48